pensamentos, desabafos, histórias de um esqueleto humano que por aqui vagueia...

Terça-feira, 30 de Outubro de 2007

Nostalgia

Gosto imenso do Nuno, é um gajo com sentido de humor...

Quando li este texto, pensei que ele tem toda a razão, ele esqueceu-se de escrever sobre o tio patinhas, hoje em dia os putos não sabem quem é...

E as meninas na altura jogavam á patela e ao elástico e hoje andam agarradas ao telémovel...

Deliciem-se com este texto se é que já não leram...

 

 

"A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida. E está
perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje
rondam os trinta. O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando
lhe falei no Tom Sawyer. "Quem? ", perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem
é o Tom Sawyer! Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo? A
própria música: "Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a
passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além..." era para ele como
o hino senegalês cantado em mandarim.


Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não
conhece outros ícones da juventude de outrora. O D'Artacão, esse herói
canídeo, que estava
apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis
Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos
jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini
que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick
Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que
nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas,
lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical,
não é a mesma coisa. Naquela altura era actual... E para acabar a lista, a
mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração

O Verão Azul. Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem
não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira.
Quem, meu Deus, não sabe assobiar a
música do genérico, não anda cá a fazer nada.



Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não
passaram, o que os torna fracos: Ele nunca subiu a uma árvore! E pior,
nunca caiu de uma. É um mole. Ele não viveu a sua infância a sonhar que um
dia ia ser duplo de cinema. Ele não se transformava num super-herói quando
brincava com os amigos. Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos
que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos.

Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra. Ele nunca roubou
chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma
canção.

Confesso, senti-me velho...

Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador. Tudo bem,
por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação
de perigo real, em
que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar
à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft.

Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca
andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros. Hoje, se um
miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer
exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa fazer
tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído. Doenças com
nomes tipo "Moleculum infanticus", que não existiam antigamente.

No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de "terno" nem
via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra
espalhada por cima não estancasse.

Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas,
porque eles estavam a jogar à
bola com os ténis novos. Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo.
Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda
com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado
quando se apanhava boleia para ir para a praia. E sabíamos viver com isso.
Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos
maiores com menos idade? E ainda nos chamavam geração "rasca"...

Nós éramos mais a geração "à rasca", isso sim. Sempre à rasca de dinheiro,
sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na
universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o
carro. Agora não falta nada aos putos.

Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se
juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto. Hoje, ele é
Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy,
tudo.

Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e
ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela
versão da bicicleta.

Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu
que 8 em cada dez putos sejam cromos.

Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava
porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.

É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma
empresa de computadores, mas não curtiu nada. "


Nuno Markl

publicado por bones às 11:06
sinto-me: nostálgica

6 comentários:

Fez-me voltar à minha juventude passada na rua, com as minhas amigas, a brincar, sem medo, porque não havia carros, não havia televisão que nos tentasse tirar aqueles momentos mágicos. Naquela altura brincava-se, agora os miúdos vivem isolados, com os seus briquedos.E nós não somos muitos velhos e não se passaram assim muitos anos.
Gostei deste teu blog. Bj .
EstrelaPolar a 30 de Outubro de 2007 às 12:03
tens toda a razão, os miudos estão isolados e não vivem nem um terço do que vivemos.
tb gostei do teu
beijokinhas
bones a 5 de Novembro de 2007 às 16:13
Por falar em nostalgia, não queres ir espreitar o meu cantinho?
Se calhar és capaz de gostar...
Olha que me deu cá uma trabalheira!!!
Beijinho.
echa a 30 de Outubro de 2007 às 14:34
gostei mt do teu cantinho parabens
beijokinhas
bones a 5 de Novembro de 2007 às 16:13
Bom, o prazer que me deu ler este post, e a descrição perfeita daquilo que foi a minha infância. Sim porque eu vivi, tudo isso e muito mais, eu trepei ás árvores para de cima delas fazer as coisa mais disparatadas possíveis, eu brinquei na areia até ficar encardida, eu fiz corridas de bmx com carroças e tractores agricolas a ver quem andava mais( também a estrada não era o que é hoje), eu rolei na cevada deitando-a abaixo, e que prazer que isso nos dava, sim éramos muitos, todos os dias. Os cigarros eram feitos da parte espigada da planta do milho, eu ia á procura de girinos, e depois punha-os num balde para os ver transformar em rãs, e muuuuiiiittoo mais coisa que se faziam. Que bom pretencer a esta geração chamada de rasca. Hoje em dia a vida está diferente, mas eu controlo a minha irmã, que brincou tal como eu, mas que quase não deixa a minha sobrinha brincar na areia. Sim eu obrigo-a a deixá-la sujar-se, mexer na terra, que mal faz, se está dentro do quintal, que mal faz um pouco de liberdade? E que saudades do Verão Azul, do Heidy, do Bell e Sebastião, do Franjinhas, e sei lá, tantos outros. Fora os Pókemon, os Transformers, etc e tal.
xana a 31 de Outubro de 2007 às 01:41
espero que tenhas tido tanto prazer a ler como eu a escrever
beijkinhas
bones a 5 de Novembro de 2007 às 16:14

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